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Relatos dramáticos de vítimas de assaltos na zona rural marcam início do Fórum de Segurança

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Fórum Regional de Segurança Urbana e Rural foi realizado no Centro Cultural Roberto Palmari

“Os bandidos gritavam ‘cadê o baguio’ (dinheiro). Eu dizia que não tinha. Então despejaram um litro de álcool no meu corpo e jogaram um fósforo aceso. Só não morri, porque o álcool era doméstico com pouca capacidade de combustão”. Este foi um dos relatos apresentados pelo vereador Paulo Guedes na abertura do Fórum Regional de Segurança Urbana e Rural realizado no Centro Cultural Roberto Palmari na última sexta-feira, dia 8.

Com o objetivo de criar força regional, unindo as sete cidades – Rio Claro, Santa Gertrudes, Corumbataí, Itirapina, Ipeúna, Analândia e Brotas – que integram o 37º Batalhão de Polícia Militar (BPM/I), a Câmara Municipal organizou o Fórum de Segurança para que as reivindicações, principalmente no que diz respeito ao aumento dos efetivos policiais, possam ter mais força.

A Mesa Principal foi composta por: Agnelo Matos, presidente da Câmara Municipal; Du Altimari, prefeito; Paulo Guedes, idealizador do evento; Anderson Christofoletti e Geraldo Voluntário, integrantes da Comissão Organizadora do Fórum; Rosa Cattuzzo, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Rio Claro); Marco Antônio Bellagamba, comandante do 37º BPMI/I; Sueli Isler, delegada que representou a Seccional de Polícia de Rio Claro; José Gustavo Viegas Carneiro, advogado e palestrante; Ionita Krügner, OAB-Rio Claro; José Sepulveda, secretário municipal de Segurança e Willian Nagib, conselheiro da OAB-São Paulo. O mestre de cerimônia foi o advogado Djair Francisco. A Câmara também esteve representada pelos vereadores João Zaine, Juninho da Padaria, Raquel Picelli e Júlio Lopes.

Agnelo Matos observou que 2014 será ano eleitoral e que o tema segurança pública vai predominar nas campanhas. “Este Fórum Regional tem condições de levantar propostas que podem contribuir na elaboração de planos de governo”, disse. O presidente da Câmara comentou ainda que na reunião da Aglomeração Urbana de Piracicaba um dos temas debatidos nesta semana foi o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) regionalizado. “Aqui em Rio Claro, as pessoas enfrentam muitos problemas já que o atendimento do 190 é feito em Piracicaba”, completou.

Paulo Guedes frisou que o problema de segurança pública atinge todos os municípios do país. “Ao idealizar este Fórum, a minha preocupação com a situação vivida hoje em dia tanto no campo quanto na cidade não se restringe à atuação parlamentar. Falo como pai de família”, afirmou o parlamentar ao defender ações conjuntas entre os sete municípios que integram o 37º BPM/I. “É preciso levar tranquilidade às famílias que moram no campo e na cidade. Os relatos aqui apresentados mostram a realidade do sofrimento vivido por muitas pessoas”, afirmou.

O prefeito Du Altimari avaliou como “muito importante” a iniciativa da Câmara e parabenizou Paulo Guedes pela organização. Citou o apoio da administração municipal ao Estado, no que diz respeito à segurança pública, ao disponibilizar mais de 80 pessoas, arcar com aluguéis de imóveis e implantar monitoramento eletrônico. “Rio Claro precisa da 2ª Companhia da Polícia Militar. Cidades como Americana e Araraquara, que possuem número de habitantes semelhantes ao nosso já contam com este serviço policial há muito tempo”, afirmou. Para ele, o trabalho de investigação policial é central na discussão. O prefeito enfatizou que somente através deste trabalho é que a estrutura criminal pode ser desarticulada.

A advogada Rosa Cattuzzo salientou que os presídios se transformaram que depósitos de pessoas e escolas do crime. “Pessoas que cometem pequenos delitos são colocadas em celas com criminosos de alta periculosidade. Isto é um erro”, disse. A seu ver, a omissão do Estado, com raríssimas exceções e a lentidão do Poder Judiciário gera impunidade no país. “Hoje em dia, pequenas cidades e a zona rural estão mais expostas à violência”, discursou. Rosa declarou ainda que nos assaltos as vítimas sofrem diversos tipos de agressões, porém, a psicológica deixa marca para o resto de suas vidas.

Ainda, na parte inicial do Fórum, Carlos Aguiar, da AGA Comunicação, Informação e Serviços apresentou resumo do relatório de 161 páginas elaborado a partir de questionários feitos nas sete cidades que integram o 37º BPM/I.

Em sua fala, Aguiar observou que as sete cidades discordam do Copom regionalizado. “A pessoa que atende ao chamado de emergência, via 190, em Piracicaba, desconhece os municípios da região. Por isso, faz inúmeras perguntas na tentativa de direcionar a viatura para o local correto. Esta situação gera problemas graves e descrédito”, disse.

Com relação a Polícia Civil, disse o representante da AGA Comunicação, muitas pessoas deixam de registrar o boletim de ocorrência por não acreditarem no poder de investigação. O relatório aponta ainda que tanto na cidade quanto no campo o temor por assaltos tira a tranquilidade das famílias.

O Fórum, na parte da manhã, contou com palestras do comandante da PM Marco Antônio Bellagamba e delegados José Viegas Carneiro e Sueli Isler. No período da tarde, os trabalhos prosseguiram com as palestras do jurista Luiz Flávio Gomes, promotor público Fernando Capez e a jurista e professora Alice Bianchini.