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‘Não se faz segurança pública sem investir nas pessoas’, defende o promotor Fernando Capez

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Promotor público e deputado estadual, Fernando Capez esteve no Centro Cultural de RC

“De um lado o caos provocado pelo avanço da criminalidade. Do outro, agentes de segurança desmotivados. No centro, a sociedade amedrontada”. Com esta fala o promotor público e deputado estadual Fernando Capez iniciou a apresentação da palestra “Segurança Pública – Uma Questão de Dignidade” na tarde da última sexta-feira, dia 8, no Centro Cultural Roberto Palmari. A atividade fez parte do Fórum Regional de Segurança Urbana e Rural organizado pelo vereador Paulo Guedes.

Promotor público responsável pela retirada das torcidas organizadas dos estádios paulistas a partir batalha campal em 1995, no Pacaembu, entre são-paulinos e palmeirenses que vitimou Márcio Gasparin da Silva, 16 anos, morto com pauladas na cabeça e deixou mais de 100 pessoas gravemente feridas, Fernando Capez, em sua palestra, defendeu a valorização do ser humano que diariamente coloca a vida em risco para defender terceiros.

“Não se faz segurança pública sem investir nas pessoas”, disse o promotor. “Se o homem não estiver motivado, empenhado, o trabalho não funciona”, alertou. De acordo com Capez no momento em que o policial vai às ruas o filme da sua vida passa diante dos seus olhos. “O perigo mora até nas pequenas ocorrências. A qualquer momento, o policial pode ser alvejado. Isto é uma realidade”, afirmou ao defender a valorização do profissional.

Com relação à batalha campal ocorrida no Pacaembu, em 1995, ele recorda-se que recebeu a incumbência de agir. Tal situação deixou o Ministério Público em situação desconfortável, assim como o Poder Judiciário e as Polícias Civil e Militar.

“Não tive dúvidas. Entrei com ações contra as torcidas Mancha Verde e Independente no primeiro momento. Logo na sequência foi a vez da Gaviões da Fiel. E todos foram retirados dos estádios”, disse o promotor. “Voltaram em 2003 a pedido do comando da PM”, acrescentou Capez ao ser informado, na época, que os torcedores se dividiram em inúmeras células difíceis de ser controladas devido a falta de camisa personalizada.

A seu ver, o combate ao avanço da violência requer esforço coletivo. A parte do poder público, exemplificou Capez, inclui manter a cidade bem iluminada. “Muitas vezes, o crime acontece por conta de ruas mal iluminadas”, alertou.

Ao defender que segurança pública é um compromisso de todos, Fernando Capez aponta às drogas como um inimigo potente a ser combatido. “Neste caso, o campo de batalha mais eficiente é a mente dos jovens. Drogas não escolhem níveis sociais. Qualquer família está sujeita a enfrentar este grave problema”, avaliou.

O avanço das drogas e o alto índice de furtos e roubos são vistos por Capez como consequência da sociedade materialista onde as pessoas querem ter lucro fácil a todo o momento. “Os jovens estão vendo tudo isso”, enfatizou.

Ao término da palestra, o promotor público defendeu revisão imediata moral de valores e disse que os policiais precisam ser valorizados, com melhores salários e condições de trabalho, e respeitados pela comunidade que protegem. “Não é fácil sair de casa, deixar a mulher e filhos, para colocar a vida em risco para defender os outros. Por isso que afirmo que a polícia precisa ser respeitada”, completou.