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‘A mulher sofre violência pelas mãos de quem ama’, apontou a jurista Alice Bianchini no CC

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Alice Bianchini na palestra do Fórum de Segurança no Centro Cultural Roberto Palmari

Tema obrigatório no Fórum Regional de Segurança Urbana e Rural, realizado sexta-feira no Centro Cultural, a violência contra a mulher foi abordada pela jurista Alice Bianchini. Através de dados estatísticos, ela revelou que no ano passado 12 mulheres morreram por dia no Brasil.

Na palestra “Violência Contra a Mulher: Gênero, Número e Grau”, a jurista sinalizou que a mulher sofre violência pelas mãos daquele que ela possui vínculo afetivo. “A violência é praticada por maridos, namorados, noivos e amantes. Ou seja, a mulher está morrendo por afetividade”, frisou.

Com base em estatísticas, a palestrante informou aos presentes que em 2001, oito mulheres eram vítimas de espancamentos por dia. “Em 2010, este número baixou para cinco espancamentos por dia. Mesmo assim, estamos diante de uma triste realidade”, lamentou.

O Mapa da Violência 2012 aponta, ainda, que 20% das mulheres de todo o país sofrem algum tipo de violência todo dia. “Os casos são mais frequentes ao término dos relacionamentos: 57%. O Mapa mostra ainda que em 52% das agressões praticadas por marido ou companheiro, a mulher corre risco de morte”, comentou.

Ao contrário do que muitos pensam, citou a jurista, a mulher vítimas de violência não permanece ao lado do agressor por conta da dependência financeira. O Mapa apresentado por Alice Bianchini mostra que 31% das vítimas levam em conta a criação dos filhos. “Para 20% das vítimas, há o medo de nova agressão em caso do anúncio da separação. Em terceiro lugar, com 12%, aparece a vergonha da agressão sofrida. Para outros 12%, a permanência ao lado do agressor leva em conta a esperança que tal fato aconteceu pela última vez e na quinta posição, com apenas 5% estão às vítimas que alegam a dependência financeira”, detalhou a jurista.

Para Alice Bianchini, a mulher que sofre violência leva de nove a dez anos para romper o ciclo. A seu ver, enquanto a agressão restringe-se à ela, o sofrimento é suportável. “A coragem para afastar-se do marido ou companheiro surge no momento em que seus filhos passam a sofrer com as agressões. Aí, é o fim da linha”, afirmou.

A jurista encerrou a sua fala dizendo que a Lei Maria da Penha, que tornou-se constitucional em fevereiro de 2012 trata-se de um canal eficaz para penalizar os agressores, mas, adianta: “Para que a lei possa ser aplicada a vítima precisa registrar o boletim de ocorrência e efetivar a denúncia na sequência para que o inquérito policial e o processo possam ter ser realizado”, completou.

O Fórum Regional, que contou com a participação de representantes de sete cidades, foi organizado pelo vereador Paulo Guedes.